O presidente da Câmara de Aveiro, Ribau Esteves, disse na passada quinta-feira, que é “uma emergência nacional” o governo e os médicos chegarem a acordo para que o Serviço Nacional de Saúde “cumpra a sua razão de ser”.
“Este é um setor absolutamente básico e daí este meu apelo porque já se passou tempo demais nesta guerra, e apelo a que haja um acordo urgente”, disse Ribau Esteves em declarações à Lusa.
A urgência desse acordo, sublinha, “deriva daquilo que é a razão de ser do Serviço Nacional de Saúde, que é servir os portugueses”, considerando a situação grave, sobretudo fora de Lisboa e Porto.
O Hospital de Aveiro tem vivido com sucessivos constrangimentos devido à adesão dos médicos à recusa em ultrapassar as 150 horas extraordinárias, tendo sido afetada, sobretudo, a urgência de Cirurgia Geral.
Esta quinta-feira mesmo a administração hospitalar anunciou mais constrangimentos até segunda-feira, e confirmou a demissão do diretor clínico por alegadas “razões pessoais”.
“Se é grave quando há as falhas de serviço nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, mas há uma resposta por perto, no resto do país é ainda mais grave”, considera o presidente da Câmara de Aveiro.
“Quando falha o serviço em Chaves, fazer uma viagem até Vila Real é muito mais complicado”, exemplifica.
O acordo é uma emergência, defende Ribau Esteves, mas para além dele “têm de ser tomadas medidas para fazer face à falta de profissionais de saúde, “ainda mais evidente quando estes não querem trabalhar mais”.
“É preciso que em Portugal se formem mais médicos e não faz sentido que a entidade que acredita os cursos de Medicina continue a chumbar as propostas de novos cursos”, critica.
Ribau Esteves lamenta que o primeiro-ministro “que assumiu perante o país o compromisso de criar mais três cursos de Medicina em universidades públicas (Aveiro, Évora e Vila Real), “não seja capaz de o cumprir”.
No entanto, o presidente da Câmara de Aveiro declara o apoio à criação das Unidades Locais de Saúde (ULS), uma solução que diz defender “há anos”.
Para o autarca, “exige-se que sejam tomadas medidas além do acordo que reformem o sistema no que respeita à gestão para ganhar eficácia, e aí estão as ULS que o governo vai finalmente implementar”.
“Na minha opinião, se essa reforma for implementada como qualidade, trará ganhos objetivos na quantidade de horas de trabalho disponíveis, e na integração da utilização dos cuidados primários e dos cuidados hospitalares”, conclui.